quinta-feira ,16 agosto 2018
Home / Cidades - DF / Após críticas ao aumento das passagens, Rollemberg interrompe as férias

Após críticas ao aumento das passagens, Rollemberg interrompe as férias

Membros da nova Mesa Diretora da Câmara Legislativa disseram, no domingo (1º), estudar forma de reverter a elevação das tarifas de ônibus e metrô

Ana Viriato , Especial para o Correio

Rollemberg planejava ficar em Aracaju até o próximo dia 9

As críticas ao governador Rodrigo Rollemberg (PSB) devido à revisão tarifária das passagens de ônibus e do metrô, feitas durante a cerimônia de posse da nova Mesa Diretora da Câmara Legislativa do Distrito Federal, surtiram efeito relâmpago. O chefe do Executivo local interromperá as férias e retornará a Brasília, nesta segunda-feira (2/1), para discutir a aplicação do reajuste.

Em recesso, Rollemberg havia viajado neste domingo para Aracaju (SE) e retornaria ao Palácio do Buriti apenas em 9 de janeiro. No entanto, o posicionamento de deputados distritais e, até mesmo, do vice-governador, Renato Santana (PSD), em relação ao aumento levou à mudança de planos: amanhã, Rollemberg deve se reunir com agentes políticos para apresentar, novamente, os argumentos que o levaram a promulgar o decreto.
Ao Correio, o Secretário de Mobilidade, Fábio Damasceno, informou que o reajuste é necessário para cobrir os gastos do GDF com o transporte público ao longo dos 10 anos de congelamento de tarifas, prévios a 2015. “Durante esse período, acumularam-se dívidas com insumos, os salários de motoristas aumentaram e o diesel subiu”, explica. O titular da pasta  ressaltou, também, a gratuidade para estudantes, idosos e deficientes. De acordo com dados do órgão, 33% dos passageiros do DF utilizam o passe livre.

Ainda segundo Damasceno, os R$200 milhões angariados ao longo de 2017 com o aumento serão revertidos em melhorias nos coletivos e no metrô brasiliense. “Investiremos em rastreamento, novos ônibus, sistema de bilhete único, entre outros”. A Secretaria de Mobilidade alega que cerca de 60% da população será afetada pelo aumento das tarifas de linhas circulares internas e de ligação curta; e 40%, pelo acréscimo nas passagens de metrô em viagens de longa distância, que podem atingir 70 km.

A revisão tarifária, vigente a partir desta segunda-feira (2), estabelece um aumento de R$ 2,25 para R$ 2,50, no caso de linhas circulares internas; de R$ 3 para R$3,50, nas passagens de coletivos de ligação curta; e de R$ 4 para R$ 5, nas viagens de longa distância e no metrô. Este é o segundo reajuste referente à malha metroviária durante a gestão de Rodrigo Rollemberg (PSB). Em comparação ao início de 2015, quando o chefe do Executivo local assumiu a gestão do DF, o valor da tarifa mais cara subiu 66%.

Reprovação

Ao assumir a presidência do Legislativo local, Joe Valle (PDT), solicitou que “o governador revisse o reajuste até que o assunto fosse discutido melhor”. E acrescentou: “Caso ele não o faça, a Câmara vai fazer”. A Mesa Diretora, inclusive, se reunirá, na segunda-feira, às 10h, para decidir como agirá em relação ao assunto. Para derrubar a resolução do Executivo local, a proposta dos parlamentares deve obter, ao menos, o aval de 13 distritais.

 

O vice-presidente da sede do poder Legislativo local, Wellington Luiz (PMDB), reprovou o acréscimo, bem como a condução do tema. “É o segundo aumento em menos de dois anos de governo. Além disso, Rodrigo Rollemberg divulgou a medida às vésperas do fim de ano e entrou de férias”, apontou.

 

O vice-governador, Renato Santana (PSD), também mostrou descontentamento com a medida. O pessedista declarou não ter sido consultado acerca do reajuste e criticou a equipe do Palácio do Buriti. “Somos 160 mil servidores do governo de Brasília. Por que um culpado? O auxiliar do governador tem o dever de ofertar alternativas que onerem o menor custo no bolso do contribuinte. Se o gestor não faz isso, precisamos encontrar quem o faça”, criticou.

Âmbito jurídico

O reajuste pode transcender as portas do Palácio do Buriti e da Câmara Legislativa. O Psol decidiu entrar com uma ação questionando a medida no Tribunal de Justiça do DF e Territórios (TJDFT). O partido está otimista com a possibilidade de reverter a determinação, depois de uma decisão favorável em Porto Alegre. Na capital gaúcha, a sigla também recorreu ao Judiciário e obteve, em primeira e segunda instâncias, decisões que suspenderam a revisão tarifária. “Acreditamos que o aumento é absolutamente abusivo e deve ser fortemente combatido”, explicou o secretário-geral do PSol no DF, Fábio Félix.

O PMDB-DF também se posicionou sobre o tema. Em nota, a Executiva do partido alegou que “está tomando providências jurídicas, buscando anular o aumento abusivo das tarifas de transporte, que acarretará mais prejuízos à população do DF”.

Você pode Gostar de:

Procon-DF fiscaliza postos de combustíveis

Objetivo é encontrar preços abusivos e outras irregularidades. Infrações estão sujeitas a multa, e consumidores …

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *