domingo ,19 maio 2019
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As 10 tecnologias mais inovadoras do momento, segundo Bill Gates

Todos os anos a MIT Technology Review, a revista do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, faz previsões de tecnologias disruptivas que vão mexer com o mercado nos próximos anos. Para 2019, a publicação resolveu chamar ninguém menos que Bill Gates para fazer essa curadoria.

“Sou grande fã da lista da MIT Technology Review, então, quando me pediram para criar a de 2019, eu aceitei. Foi muito divertido trabalhar na edição escolhendo quais inovações incluir. Acredito que os dez itens trarão impactos significante nos próximos anos. Estou empolgado em aprender mais sobre eles”, comentou o fundador da Microsoft em sua conta no Linkedin.Veja abaixo as apostas do empresário:

1 – Destreza robótica

Um robô pode lidar repetidamente com um componente de uma linha de montagem com incrível precisão sem nunca ficar entediado. Mas basta mover o objeto um milímetro ou trocar por algo ligeiramente diferente para que a máquina se atrapalhe.

De acordo com Gates, os projetos para que os robôs tenham a destreza dos humanos e consigam manipular qualquer objeto devem se popularizar. Se isso acontecer, veremos uma grande evolução no mundo das máquinas. Robôs poderão carregar máquinas de lavar louça, montar aparelhos e até ajudar idosos a sairem da cama.

Nesta linha de pensamento, Gates cita o projeto Dactyl, desenvolvido por uma empresa de São Francisco e sem fins lucrativos, como um dos mais promissores da área. A startup criou uma mão robótica, rodeada por uma série de luzes e câmeras, que possui uma rede neural que aprende como mexer em objetos dentro de um ambiente simulado antes de tocá-lo fisicamente.

Geralmente não é possível transferir esse tipo de prática virtual para o mundo real, porque o atrito e as propriedades de cada material são diferentes e difíceis de serem simuladas. A equipe do Dactyl, no entanto, contornou isso adicionando aleatoriedade ao treinamento virtual, dando ao robô uma proxy de desordem da realidade.

2 – Nova energia nuclear

Os reatores avançados de fusão e fissão estão se aproximando da realidade, de acordo com Gates. Projetos nucleares que ganharam força no ano passado se mostraram promissores e podem tornar essa energia mais barata e segura.

Entre eles estão os reatores de fissão geração IV, uma evolução dos tradicionais, que até então pareciam fora de alcance. Para se ter ideia do quão próximo estamos desta nova realidade, desenvolvedoras de reatores de fissão geração IV, como a Canada Terrestrial Energy e a TerraPower, dos EUA, firmaram parcerias de pesquisa e desenvolvimento com empresas de serviços públicos, visando o fornecimento de rede a partir de 2020.

3 – Previsão de bebês prematuros

Em pouco tempo será possível prever se uma mulher grávida poderá ter um parto prematuro. De acordo com Gates, o bioengenheiro da Universidade de Stanford, Stephen Quake, achou uma maneira mais fácil de detectar e sequenciar as pequenas quantidade de material genético cell-free no sangue. Se antes a coleta desse material exigia formas invasivas, como perfurar a barriga da grávida para realizar uma amniocentese, agora os pesquisadores conseguem apenas com uma pequena amostra do sangue.

4 – Sonda de intestino em uma pílula

A Disfunção Entérica Ambiental (EED) é uma doença assintomática caracterizada por inflamações crônicas no intestino que impede que o órgão absorva todos os nutrientes necessários. A doença é difundida nos países mais pobres e uma das razões pelas quais muitas pessoas são desnutridas e têm atrasos no desenvolvimento e nunca atingem uma altura normal. O problema é que ninguém sabe a causa do EED e como ele pode ser tratado e prevenido. A triagem prática para detectar essa doença ajudaria o mundo todo.

De acordo com Gates, Guillermo Tearney, patologista e engenheiro do Hospital Geral de Massachusetts (MGH) em Boston, está desenvolvendo pequenos dispositivos que podem ser usados ​​para inspecionar o intestino em busca de sinais de EED e até mesmo obter biópsias de tecido.

As cápsulas de Tearney, que podem ser engolidas, contêm microscópios em miniatura. Elas são ligadas a uma corda flexível que fornece energia e luz, e envia imagens para um monitor. Isso permite que o profissional de saúde pause a cápsula em pontos de interesse e retire-a quando terminar, podendo ser esterilizada e reutilizada.

5 – Vacinas personalizadas contra o câncer

De acordo com Gates, os cientistas estão prestes a comercializar a primeira vacina personalizada contra o câncer. Se funcionar como esperado, a vacina, que aciona o sistema imunológico de uma pessoa para identificar um tumor por meio de suas mutações únicas, pode efetivamente impedir muitos tipos de câncer.

A startup alemã BioNTech é uma das pioneiras no assunto. Em 2008, a empresa apresentou evidências convincentes de que uma vacina contendo cópias dessas mutações poderia catalisar o sistema imunológico do corpo para produzir células preparadas para procurar, atacar e destruir todas as demais células cancerígenas.

Em dezembro de 2017, então, a BioNTech iniciou um grande teste da vacina em pacientes com câncer, em colaboração com a gigante de biotecnologia Genentech. O estudo em andamento tem como alvo pelo menos 10 tipos de cânceres sólidos e visa inscrever mais de 560 pacientes em locais ao redor do mundo.

6 – Hambúrguer de laboratório

A ONU prevê que o mundo tenha 9,8 bilhões de pessoas até 2050. Até essa data, de acordo com as previsões, os humanos consumirão 70% mais carne do que em 2005. O problema é que criar animais para consumo humano está entre as piores coisas que fazemos ao meio ambiente. Dependendo do animal, produzir um quilo de proteína de carne com métodos industrializados ocidentais requer de 4 a 25 vezes mais água, 6 a 17 vezes mais terra e 6 a 20 vezes mais combustíveis fósseis do que produzir meio quilo de proteína vegetal.

Sendo assim, algumas empresas estão trabalhando na criação de carnes cultivadas em laboratórios. Os “hambúrgueres fakes” são feitos a partir do tecido muscular de animais e cultivados em biorreatores. O produto final é muito parecido com o original, embora o gosto ainda não.

Segundo Gates, pesquisadores da Universidade de Maastricht, na Holanda, acreditam que terão carnes produzidas em laboratório disponíveis para larga escala já no próximo ano. Vale lembrar que as emissões na produção dos “hambúrgueres fakes” é apenas 7% inferior à produção de carne bovina.

7 – Coletor de dióxido de carbono

Mesmo que a gente reduza as emissões de dióxido de carbono, o gás de efeito estufa pode persistir por milhares de anos. Para evitar um aumento perigoso das temperaturas, o painel climático da ONU conclui que o mundo precisará remover até 1 trilhão de toneladas de dióxido de carbono da atmosfera neste século.

Em uma recente descoberta, o cientista de clima da Harvard, David Keith, calculou que as máquinas poderiam, em teoria, por menos de de US$ 100 a tonelada, fazer uma captura direta do gás. Mas, o que fazer com ele?

Segundo Gates, a Carbon Engineering, empresa canadense que Keith fundou em 2009, sabe exatamente como utilizar o gás. A empresa planeja aumentar a produção de seus combustíveis sintéticos, usando o dióxido de carbono capturado como ingrediente-chave. Vale lembrar que o fundador da Microsoft é um investidor em Engenharia de Carbono.

8 – Eletrocardiograma do pulso

Relógios e rastreadores de condicionamento físico não são dispositivos médicos sérios. Mas um eletrocardiograma – do tipo que os médicos usam para diagnosticar anormalidades antes de causar um derrame ou um ataque cardíaco – requer uma visita a uma clínica, e as pessoas muitas vezes não conseguem fazer o teste a tempo.

Por isso, Gates acredita que os relógios inteligentes com eletrocardiograma serão tendência nos próximos anos. Possibilitados por novas regulamentações e inovações em hardware e software, os wearables deverão oferecer a conveniência de um dispositivo vestível com a precisão de um aparelho médico.

A startup AliveCor, do Vale do Silício, criou uma pulseira que pode detectar fibrilação atrial, uma causa freqüente de coágulos sanguíneos e derrames. Tanto ela quanto a Apple já receberam autorização da FDA (Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos) em 2017 para lançar seus aparelhos. Agora é questão de tempo para iniciar a comercialização.

9 – Saneamento sem esgotos

Cerca de 2,3 bilhões de pessoas não têm um bom saneamento. A falta de banheiros adequados encoraja as pessoas a despejar matéria fecal nas lagoas e córregos próximos, espalhando bactérias, vírus e parasitas que podem causar diarréia e cólera. Para se ter ideia, uma em cada nove crianças no mundo morre por causa da diarréia.

Agora, os pesquisadores estão trabalhando para construir um novo tipo de banheiro que seja barato o suficiente para o mundo em desenvolvimento, e que possa não apenas descartar o lixo, mas também tratá-lo.

Para isso, em 2011, o próprio Bill Gates criou o concurso Reinvent the Toilet Challenge. Desde o lançamento do concurso, várias equipes colocaram protótipos em campo. Todos os projetos processam o lixo localmente, portanto, não há necessidade de grandes quantidades de água para transportá-lo para uma estação de tratamento distante. Além disso, a maioria dos protótipos não precisa de esgotos e se parecem com banheiros tradicionais.

Atualmente há dois projetos que merecem destaque, segundo o empresário, um da Universidade do sul da Flórida, e outro de Connecticut.

10 – Assistentes de IA mais naturais

Estamos acostumados com assistentes de Inteligência Artificial, mas sabemos que eles ainda vão evoluir muito. Alguns avanços recentes estão prestes a expandir o repertório dos ajudantes virtuais, de acordo com Gates. Recentemente, o Google revelou um sistema chamado BERT que consegue completar frases com palavras faltantes. Em um teste de múltipla escolha, o sistema foi tão bem quanto os humanos na atividade de preencher lacunas.

Essas melhorias, juntamente com uma melhor síntese de fala, vão mudar a nossa relação com os assistentes de IA. Vamos passar de simples comandos para conversas complexas. Gates ainda aposta que as mudanças vão facilitar tarefas diárias como fazer anotações, achar informações em sites e até compras online.

Fonte: Technology Review e LinkedIn

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