quinta-feira ,16 agosto 2018
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Erdogan diz que Turquia não deve ignorar pedido de pena de morte

País abandonou forma de punição em 2004.
Tentativa de golpe na última sexta (15) trouxe de volta discussão.

Partidários do presidente turco, Tayyip Erdogan, em Ancara. (Foto:  REUTERS/Tumay Berkin)
Partidários do presidente turco, Tayyip Erdogan, em Ancara. (Foto: REUTERS/Tumay Berkin)

O presidente da Turquia, Tayyip Erdogan, disse neste domingo (17) que não deveria haver nenhum atraso no uso da pena de morte no país após a tentativa de golpe contra ele, acrescentando que o governo irá discutir a questão com partidos de oposição. Na sexta-feira (15), o conflito entre parte da população e as Forças Armadas deixou deixou 265 mortos – 161 civis e 104 militares contrários ao governo.

Falando a uma multidão de apoiadores que pediam a pena de morte em frente à casa dele em Istambul, Erdogan disse: “Nós não podemos ignorar esse pedido.”

A Turquia aboliu a pena de morte em 2004 para cumprir requisitos de acesso à União Europeia e não realiza nenhuma execução desde 1984.

Erdogan também pediu que seus seguidores continuem a protestar contra a tentativa de golpe nas ruas e nas praças até sexta-feira (22), dizendo que a ameaça contra ele não está completamente eliminada.

Acusações a clérigo
No último sábado (16), o presidente turco pediu a Barack Obama que extradite Fethullah Gulen, clérigo exilado nos Estados Unidos e apontado como o promotor do golpe. “Ou vocês deportam Gulen ou o entregam para nós”, afirmou Erdogan no pronunciamento. Ele também disse que depois da extradição do “mentor do terror”, “muita coisa irá mudar na Turquia”.

Gulen, de 75 anos, já foi aliado de Erdogan e atualmente vive na Pensilvânia. Ele foi exilado nos Estados Unidos em 1999, depois de ter sido acusado de traição na Turquia. Ele lidera o Hizmet, movimento político-religioso que se mantém crítico ao regime de Erdogan.

O clérigo nega envolvimento na tentativa de golpe ocorrida na última sexta (15). “Como alguém que sofreu múltiplos golpes militares durante as últimas cinco décadas, é especialmente insultante ser acusado de ter alguma relação com esta tentativa”, afirmou, em comunicado divulgado na última madrugada. “Nunca enxerguem uma intervenção militar como algo positivo, a democracia não pode ser alcançada dessa forma”, afirmou Gulen à população turca. Quase 3 mil magistrados foram afastados por provável ligação com o clérigo.

Os Estados Unidos pediram provas do envolvimento de Gulen com a tentativa de golpe e afirmaram que irão ajudar nas investigações. Também divulgaram um comunicado neste sábado: “O presidente (Obama) e sua equipe lamentam a perda de vidas humanas e destacam a necessidade vital para todas as partes na Turquia de agir respeitando o Estado de direito e evitar qualquer ação que possa gerar novos episódios de violência ou instabilidade.”

Militares afastados
As autoridades turcas detiveram no sábado (16) o comandante do Segundo Exército, relacionado à tentativa de golpe militar, informou a agência de notícias Anadolu.
O general Adem Huduti é o oficial mais graduado a ser apreendido até o momento, após a tentativa de intervenção que matou mais de 160 pessoas. O Segundo Exército, com sede em Malatya, protege as fronteiras da Turquia com a Síria, o Iraque e o Irã.

Outras reformulações também foram feitas pelo presidente. Erdogan já plenejava, há muito tempo, afastar alguns militares do poder, segundo fontes. Após a tentativa de golpe, o presidente turco demitiu 5 generais, 29 coronéis e substituiu o chefe maior das Forças Armadas, capturado por militares rebeldes.

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