terça-feira ,16 Janeiro 2018
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Otimista, mercado já vê dólar cotado abaixo de R$ 3 nos próximos meses

Abundância de recursos no exterior e taxas de juros altas no Brasil favorecem a entrada de moeda estrangeira no país e a queda da divisa frente ao real. Viagens internacionais ficam mais baratas

	Marcos Santos/USP Imagens

A euforia do mercado com a proximidade do impeachment de Dilma Rousseff e a chance de o Congresso Nacional aprovar o ajuste fiscal podem levar o dólar a ser cotado abaixo dos R$ 3 nos próximos meses. O otimismo que tem levado investidores a aplicar recursos no Brasil e reduzido o preço da divisa norte-americana é turbinado pelo excesso de liquidez mundial. Com juros negativos ou próximos de zero nas principais economias, os empresários têm buscado aplicações rentáveis e o Brasil voltou a fazer parte do grupo de nações atrativas.

 Com juros básicos de 14,25% ao ano e a queda do risco país, investidores passaram novamente a  comprar ativos brasileiros. O voto de confiança dado ao governo do presidente interino, Michel Temer, favoreceu a redução dos prêmios de risco. Em dezembro passado, os credit default swaps (CDS) superaram os 500 pontos com a saída de Joaquim Levy do Ministério da Fazenda. Atualmente, estão em 256 pontos, com as perspectivas de melhora da economia brasileira, uma queda de 48,8%.
Os CDS são uma espécie de seguro contra calotes. Quando mais altos, maiores os riscos para os investidores.

A entrada de investimentos no Brasil levou o dólar a desabar 19,33% neste ano. A moeda terminou a semana cotada a R$ 3,185 depois de, na última quarta feira, ter atingido o menor nível desde 13 de julho de 2015, ao bater em R$ 3,132. Diante da forte desvalorização cambial, o Banco Central (BC) reforçou a oferta diária de contratos de swap reverso, operações que equivalem à compra futura da divisa e tendem a dar impulso de alta às cortações. A autoridade monetária aumentou a colocação de papéis de US$ 500 milhões para US$ 750 milhões.

Tripé

Diante das dúvidas sobre como o BC atuará para conter a desvalorização do dólar, o presidente da autoridade monetária, Ilan Goldfajn, afirmou que é necessário fortalecer o tripé macroeconômico, formado por responsabilidade fiscal, controle da inflação e regime de câmbio flutuante, para garantir a retomada da confiança na economia brasileira. Ele ressaltou que utilizará com parcimônia as ferramentas cambiais de que dispõe, “quando julgar necessário e sem ferir as premissas desse regime”.

As explicações de Goldfajn foram dadas após Temer afirmar, em entrevista ao jornal Valor Econômico, que a orientação do governo é que deve ser mantido um certo equilíbrio no câmbio, provocando o receio de que, como ocorreu de modo desastrado durante a administração de Dilma, o Planalto, mais uma vez, estaria disposto a interferir no trabalho do BC. “Não pode ter um dólar num patamar elevado nem um dólar derretido”, disse Temer.

Para evitar qualquer polêmica sobre a atuação do Executivo, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou que o câmbio, por definição, é flutuante. “Em alguns momentos, ele pode ser mais volátil, ou mais estável, dependendo de uma série de fatores. Isso não é algo que tenha tanta relevância. O importante é a tendência, e o movimento é normal”, disse.

As declarações de Temer, Meirelles e Goldfajn ocorreram em um momento em que o setor produtivo, os economistas e os consumidores começam a fazer as contas para saber quem perde e quem ganha com a desvalorização cambial. O presidente interino já foi procurado por exportadores de produtos industrializados, agrícolas e de minérios para cobrar uma atuação mais forte do BC no sentido de conter o recuo do dólar. Eles temem perder competitividade no mercado internacional com a retração da divisa norte-americana. Os consumidores, por outro lado, devem gastar menos em viagens internacionais, que ficarão mais baratas.

A queda do dólar também afeta o ajuste nas contas externas. O Brasil, que em 2015 teve um rombo superior a 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB) no balanço das transações correntes, caminha para reduzir esse buraco para 1% neste ano. Com a moeda estrangeira mais barata, a redução pode ser mais lenta. Além disso, setores da economia tendem a reforçar a importação de mercadorias, diminuindo o saldo positivo da balança comercial.

A possibilidade de o dólar ser cotado abaixo dos R$ 3 está no radar do economista-chefe para a América Latina do banco BNP Paribas, Marcelo Carvalho. Ele projeta, no entanto, que a divisa terminará o ano valendo R$ 3,25, mas não descarta revisar esse valor para R$ 3,10. “Dependendo do cenário, é possível que o câmbio ceda ainda mais e se aproxime de R$ 3 sem levar a autoridade monetária a intervir”, afirma.

Além de ser favorável ao regime de câmbio flutuante, Carvalho destaca que o BC está empenhado em conter a inflação. Assim como a valorização do dólar de R$ 2 para R$ 4 pressionou o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2015, a queda no preço da divisa estrangeira favorece o controle do custo de vida. “O IPCA próximo de 11% no ano passado foi influenciado pelo câmbio. Agora, ele ajuda no processo de convergência para a meta de 4,5% em 2017”, detalha.

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